quarta-feira, 28 de abril de 2010

Caros amigos

Saudamos uma década de poesia... Saudamos o desabrochar de versos e poemas performances, conversas, amizades... Em dez anos de existência, quanta criação foi expressa, quanta inventividade foi comungada.
Poesia em pó, em corpo, em alma, espírito... Quantas abordagens diferentes para a poética vital de cada um... Mas para ser breve e clichê, toda poesia deveria terminar com o eterno jargão; Não tenho - nem - palavras para dizer... Ou... “Eu tenho tanto pra lhe falar, mas com palavras (ironicamente) não sei dizer”. Parabéns a todos que completaram dez anos com você. Sarau de Poesia da Lagoa do Nado.
Quinta-Feira, dia 29 de Abril, a partir das 19 horas, estaremos cantando, versando os parabéns e gostaríamos de contar com todos os colaboradores e atuantes deste rito poético.
Editorial Cabeça de Papel

terça-feira, 27 de abril de 2010

Primeiras Primaveras

Primeiras primaveras
Flores mal desenhadas éramos ainda, menino
Quando escapou-me dos seus olhos um líquido violeta cheirando jasmin
Escorreguei naquilo: visgo, óleo, seria lume perfumado?
E dançamos silêncios.


Teria sido assim o começo
De quantas primaveras?
Seus olhos de sempre...
Não há, todavia, som
Seus olhos, raros de mim
Guardam silêncio
Seus olhos, menino, cheiram jasmin...


Há quantas primaveras?
Quantas primaveras? Estão, serão?
Muitas vezes longe, raros de nós, quase perdidos no silêncio;
Mas há um há, o é -.
Porque seus olhos calados me lembram uma coisa
que não é para eu esquecer
e, às vezes, eu quase perco.
E isso você não sabe, talvez.
Está no relance, escapa
E escorrega sempre.

Ludmila Benquerer


MINAS [lopes de la rocha]
5 LETRAS 5 SENTIDOS

MINAS, a terra
MINEIRICE, o jeito
MINEIRIDADE, o sentimento
MINEIRANÇA, o sonho
MINEIRIANA, a devoção


Oração a mim mesmo
Oswaldo Antônio Begiato

Que eu me permita olhar, escutar e sonhar mais
Falar menos

Vê nos olhos de quem me vê
a admiração que eles me têm
e não a inveja que prepotentemente
penso que eles têm
(...)

Permitir sempre escutar aquilo
que não tenho me permitido escutar
(...)

E aprender o sabor da exuberância
que se mostra nas pequenas
manifestações da vida

Que meu choro não seja em vão
Que em vão não sejam minhas dúvidas

Que eu saiba perder meus caminhos
mas saiba recuperar meus destinos com dignidade
(...)

Traduzir o que os mestres ensinam
e compreender a alegria com que
os simples traduzem suas experiências
(...)

Auxiliar a solidão de quem chegou
render-me ao motivo de quem partiu
e aceitar a saudade de quem ficou

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Vilas do Saber

- IX -

Nascente de grota grutas
Escamas de água águam os gaviões
Da janela um véio oiá a janela -
E de canela toma um quente

Candeeiro aceso na casa do padre
Cemitério de lua nova pro peixe tolo.
Uma caixa e uma xarada...

- Cutuca Zezim, cutuca Zezim
Pari é armadilha de pescador
Tropa anda em frente de cigano
Vila do Saber já em vem por lá

Outra vila – interioro .. interioro.
Interior e Hórus em orações e mato.
Queijo – passei dem dagua virou a lua
Zen D’en D’Água ascendeu o fogo
Mãe do ouro apareceu na madrugada

Manha em uma Vila do Saber
Sabeis o sol – o nascimento de tudo ...
Orvalhindo vai subindo em esporos cristais
Pão – café e uma calma de acordar que sonhei
Musica – de ontem a fora, fora muito azul

Trabaia brincando e brincando trabaia
O barco leva esta lenha para o outro lado do rio.
Para de chover quando o vento assovia sós.
Sem chuva da para a passagem passar

Volta à vida devagar e dinamicamente
Moinho – as considerações dos astros
Elevam-me a molhar as couves e as mostardas
Acompanhar o vento no calor causa delírio

Vila do Saber é sossegada dentro de mim
Em cima da montanha para as bandas de Lá
Tem outra chamada de Lapinha. Não é,
É angu duro, Itatiaia de lavras novas.

Eu acordei em uma Vila
em Mim - chão de aipim e pim de ai

Inter-oro pela capela dos anhagueras
As serranias encerram os raios solares
Defumações sobem ao céus
Estrela e agricultura andam juntas.
São a mesma ciência.

Aquela vila do saber tem outra língua
Vissunga alguma coisa para nossoutros
Ou nhegathu num fala mais?
Que bicho você fala?
São ou não são a mesma ciência?
A outra Vila é a de Candeias...

Você num fala nada... só escuta.
aonde tem leite tem lei. alem de leitor ...
Ou não sabes ler sua Vila? vida...
A sabedoria relincha uma vida cancioneira
Burro mestre não balança veneno de cobra

Coraci Q’Arca

II – poema em diversas partes do livro deslivro – vila do saber -
coraciq'arca - confraria da mascaras suspensas -